Colonialismo cyber-farmocológico e o organismo regredido BV8674-12 



Fernando Gerheim
 
 
O cara entra na farmácia. Está tocando uma música animada no sistema de som. Por um momento, ele sente vontade de dançar. Aguarda na fila e quando chega sua vez exibe para a farmacêutica a receita na tela do celular. Depois de consultar uma tabela na tela do computador a farmacêutica informa o preço e vai buscar o medicamento. Pouco depois, lhe entrega o remédio numa cestinha de plástico. A caminho do caixa, o cara é abordado por uma jovem sorridente, de óculos, como ele usando máscara N95.
           
– Você foi selecionado!


Aquilo lhe parece dentro do script estranho, entre filme de ficção científica B e de terror, que a realidade parece seguir desde o início da pandemia.

– Selecionado pra quê? – Ele pergunta.  
           
– Pra receber um prêmio!
           
– Hum. – Ele murmura descrente. – Que prêmio?


A mulher lhe estende uma caixinha de acrílico transparente com uma pílula vermelha e outra azul. A música nos alto-falantes, a climatização agradável e agora aquele suposto prêmio querem fazê-lo associar farmácia à bem-estar e à sorte, não à doença e remédio, ele sabe, mas fita a moça com uma sofreguidão de viciado em crise de abstinência durante um tempo que poderia ser considerado assédio, tentando extrair dela alguma substância vital de que seu organismo carece – serotonina? endorfina? dopamina? Ele lembra da Red Pill de Matrix e do movimento de teorias da conspiração online Q-Anom.
           
– Se eu tomar a vermelha vou enxergar aquelas cifras verdes por trás da realidade?
           
– Você vai ficar em homeostase com o ambiente.


Ele não entende muito bem o que aquilo significa, espera ela dar mais alguma informação.

– Uma sensação de bem-estar perene.

 
O cara estende o braço e pega a pílula.
 
Na sala da Homeostasis BioCorporation uma equipe acompanha a abordagem olhando para a tela. Para a HOBIC o cara é apenas mais um organismo-alvo, o BV8674-12. As imagens são captadas e transmitidas em tempo real pela câmera escondida no aro dos óculos da moça, uma agente de Intervenção Geolocalizada Instantânea. Com um clique no mouse o membro da equipe faz acender no painel o sinal que indica a entrada daquele organismo-alvo no Sistema de Regressão SIRE.
 
O cara aceita o copinho de plástico que a moça lhe oferece, abre a tampa e abaixa a máscara. Nada é tão ruim que não possa piorar. Ele toma a pílula vermelha num gole. A moça sorri.
 
O membro da equipe da HOBIC clica numa aba onde está escrito FASE 2, fazendo acender no painel o sinal laranja, que indica a passagem do organismo-alvo para a fase 2 do SIRE.
 
O cara sai da farmácia atento às reações do seu organismo. Caminhando entre o lixo e os novos moradores de rua, sente de repente a têmpora latejar.
 
Na sala de controle do HOBIC, o membro da equipe clica na aba escrito PANBO. No painel acende o sinal roxo, indicando a entrada no Paradigma Normativo Intra-bolha. A HOBIC é uma cross-corporation de big-tech de internet e biologia molecular. O funcionário repassa os dados bioquímicos do BV8674-12 para a gigante farmacêutica associada, BIODATA SYSTEM, que identifica e analisa em tempo real as substâncias que faltam ou excedem em seu organismo. O cara acha que caminha com seu celular pela rua quando na verdade caminha pela rua em seu celular. O flaneur se tornou o indivíduo-bolha geolocalizado. No estado regredido em que as pessoas se encontram, não é mais preciso líder de massa ou objeto-fetiche para provocar nelas uma identificação narcisista que tende a eliminar toda a alteridade. A um comando do funcionário, o nanochip infiltrado pela pílula vermelha no organismo BV8674-12 dispara microdescargas elétricas em sua rede neural. A HOBIC agora detém o controle do seu metabolismo.
 
Um líquido vermelho vivo e viscoso começa a sair pelas janelas e a escorrer pelas fachadas dos prédios. Ao mesmo tempo, filetes de sangue saem de seu nariz e ouvidos. A moça da farmácia não disse nada sobre a pílula provocar alucinações. Deve ser uma bad trip, ele pensa. Sente-se nauseado, fraco, com uma vontade irresistível de deitar no chão. As fachadas dos prédios dos dois lados da avenida se tornaram verdadeiras cachoeiras vermelhas que avançam pelas calçadas e transformam a rua num leito de sangue. O cara cambaleia horrorizado. Arranca a máscara ensopada. Aquela não é, afinal, a realidade por trás dos algoritmos que a pílula vermelha lhe faz ver? Ou ele está dentro do pesadelo de alguém? De vez em quando alguém se debruça e grita junto com o sangue que sai pela janela:
“Pandemia é ideologia! Vacina é arma biológica!”


Outro berra, balançando a bandeira verde e amarela na janela: “Pela liberdade de expressão! Abaixo o comunismo!”


Sufocado pelo cheiro doce, o homem deixa seu corpo cair  lentamente sobre o asfalto coberto de sangue. Sua roupa está empapada e seu corpo, pegajoso. Com esforço, ele toca a tela do celular para desbloqueá-lo. Na internet deve haver alguma informação sobre o que está acontecendo. Aparece o aviso: “Seu crédito acabou”. Reunindo suas últimas forças, ele tira a caixinha acrílica do bolso, pega a pílula azul e a engole com a própria saliva, sentindo a garganta arranhar. 
 
A HOBIC dispara nova descarga elétrica no corpo do organismo-alvo BV8674-12. 
 
O leito de sangue desaparece subitamente, sem deixar vestígio. As fachadas, as calçadas, o asfalto, suas roupas ficam subitamente secos. Ele fica em dúvida se a alucinação acabou ou agora é que, sob efeito da pílula azul, tudo é ilusão e a normalidade é uma aparência.
 
Com mais um clique, o membro da HOBIC apaga a luz roxa no painel de controle, indicando que a fase PANBO acabou. O metabolismo do organismo-alvo está completamente colonizado.
 
O homem caminha pela rua, se restabelecendo aos poucos. Ele tenta entender o que aconteceu. A moça da farmácia obviamente mentiu dizendo que ele ficaria em homeostase com o ambiente. Mas ele achou que a pílula vermelha e a azul eram só uma inofensiva estratégia de marketing chupada do cinema hollywoodiano para se apropriar com atraso de temas do mundo digital. Ele não sabia bem por que tinha tomado aquele maldito comprimido. Ao mesmo tempo, embora lhe custasse admitir, estava convencido de que merecia receber como prêmio o bem-estar perene. Por mais apelativa que fosse aquela estratégia de marketing ela não estava num tom discrepante da realidade.  Pensou consigo mesmo que a própria moça da farmácia já parecia uma alucinação, como se ambos estivessem vivendo dentro de um simulacro, de um mundo paralelo, de uma bolha terrestre. Admitiu, num corajoso lampejo de lucidez, que havia agido como se não tivesse nada a perder e agora sofria as consequências. Era indiferente voltar ou não para casa, passar ou não a pomada nas mãos descamadas por sua idiopática alergia a álcool em gel. Tudo podia se desfazer de um segundo para o outro. Em sua memória, cataratas de sangue ainda escorriam pelas fachadas e as pessoas ainda gritavam pelas janelas. Uma barulhenta horda de motocicletas de entregadores de aplicativo cruzou ruidosamente pela rua.
Ele não tinha que ter tomado a pílula. Mas quem era culpado? Tê-la tomado só se tornou o seu destino depois que ele a tomou. Mas como um peso tão grande podia recair sobre um ato que ele nem sabia por quê tinha cometido? “Maldita hora em que eu fui tomar a pílula!”, praguejou, procurando em vão alguma mulher bonita na rua para devassar com seu olhar sôfrego e produzir uma dose de serotonina em seu corpo combalido. 
 
Na sala de controle da HOBIC, o membro da equipe verifica que o índice de Retenção Bioquímica no organismo-alvo BV8674-12 está abaixo do limite recomendável e consulta o CEO do Setor de Monitoramento, que, após breve análise dos dados, o instrui a entrar em contato com o Núcleo Móvel mais próximo do organismo-alvo BV8674-12 para que seja realizada uma Intervenção Geolocalizada Instantânea, ativando o Grau Avançado de Volúpia com Fator Reprodutivo.
           
Com a gratuidade de uma playlist, uma mulher aborda o organismo-alvo BV8674-12 no meio da rua.

 
– Boa tarde. – A moça sorri. – saciando sua carência metabólica. – Me acompanhe, por favor. – A forma dela falar é ao mesmo tempo gentil e imperativa. Eles entram por uma porta ao rés-do-chão. Ela fecha a porta atrás dele, cortando a luz que vem de fora, deixando o ambiente sombrio. Uma linha de neon vermelho acompanha o desenho dos degraus dos dois lados da escada. 
 
“O excesso de estímulos hipertrofiou certas glândulas, gerando um excedente hormonal que não encontrou escoamento natural, acumulando-se perigosamente nos corpos.” Disse o CEO da HOBIC. “Nossa missão é fazer o mapeamento dinâmico, em tempo real, do nível dessas substâncias nos organismos colonizados, e criar meios artificiais para sanar o desequilíbrio hormonal, proporcionando a homeostase perene.” O CEO do Setor de Monitoramento completou: “Quando nosso leitor bioquímico em tempo real identifica uma alta ou baixa das substâncias produzidas pelas superglândulas abre-se uma janela. Temos que agir rápido. Se o organismo colonizado mostra um desequilíbrio acima ou abaixo do limite, há duas alternativas: disparar microdescargas elétricas ou plantar, como se fosse casual, uma Intervenção Geolocalizada Instantânea.”


Depois de uma pausa para observar, altivo, a reação dos ouvintes, que escutam atentos, o CEO da HOBIC prossegue:


“Podemos ser acusados de behaviorismo abusivo porque atuamos sobre os sintomas, não sobre as causas. Tudo que a imprensa ideológica quer é uma oportunidade para nos acusar de manipular metabolismos como se as pessoas fossem ratos de laboratório. Vão dizer que gente está transformando elas em zumbis bioquímicos. Por isso temos que agir em sigilo. Os mais aptos têm que assumir o controle. Precisamos estar preparados para o dia do Evento.”

Os membros da equipe balançam a cabeça em sinal de aprovação, orgulhosos de pertencer a HOBIC. 
          
O cara assiste ao show erótico no palco da boate. A dançarina faz uma apresentação de pole dance, mexendo os quadris sensualmente para simular uma cópula, como se a coluna metálica fosse um grande falo entre suas pernas.
         

Depois que o número termina, ela caminha até a mesa dele. O homem não se importa que ela esteja sem máscara.

 
– Eu sou parte do seu prêmio. 


Um garçom com o nariz para fora da máscara se aproxima com uma bandeja. Deixa dois copos sobre a mesa, avisando que é por conta da casa.


O organismo-alvo BV8674-12 examina a dançarina de pele marrom e cabelos pretos alisados.


– Bonita você.


– Obrigada! – Ela sorri, meio encabulada. – Eu me cuido.  


– Quanto é o programa?

 
– Eu sou parte do seu prêmio. – Ela repete.


– Como você sabe do prêmio?


Ela cruza as pernas, exibindo as coxas. Inclina-se para a frente, mostrando os seios. A angústia do cara desaparece, tragada pelo decote. Embora aquilo não faça sentido, é como se o reconhecimento que lhe valeu o suposto prêmio – ele não conseguiu decidir em que acreditar – passasse por redes de informação que ele desconhece, mas em cuja idoneidade confia. Está convicto do seu mérito. E da sua sorte. Ele olha para os pés dela, com as unhas pintadas de vermelho. A mulher usa sandálias de salto. As reentrâncias na sua roupa possuem um teor messiânico. Ele só quer fazer sexo com ela, não está mais interessado em descobrir como ela sabe do prêmio. A mulher pega o copo sobre a mesa e entrega para ele. O cara dá um gole.


– Bebe tudo.

 
– Você quer que eu fique mais solto, né?


– Bebe logo, bebê.


– Seus pés são lindos.

 
Ela sorri, lisonjeada.


– Eu adoro seus lábios carnudos – Ele se solta. Vira a bebida de um gole.

 
O cara atravessa a boate atrás dela. Entram por um corredor. A dançarina abre uma das portas. É um quarto com espelho no teto, cama de casal e um painel na cabeceira para ligar o som e a imagem da TV no alto da parede. 


Ele queria que ela realizasse suas fantasias sexuais, inspiradas nos filmes pornográficos que ele se habituara a assistir durante a pandemia, enquanto se masturbava. Ela não fez todas as suas vontades, mas uma coisa o excitou especialmente: o jeito dela cerrar os dentes, deixando só a ponta da língua para fora. Ele sentia a ponta cartilaginosa e úmida quando tentava enfiar a língua entre os dentes dela, forçando o beijo. Ela parecia muito excitada, dentro daquele limite. Ele a olhou nos olhos por um instante. O brilho em sua íris era como o reflexo de uma luz fugidia no fundo do poço. A garota pediu, gemendo, para ele roçar a cabeça do pau no seu clitóris. Ele esfregou a glande no clitóris intumescido da garota enquanto beijava a ponta da sua língua, tentando abrir sua boca.

 
– Enfia só um pouco. – Ela suplicou.

 
Em outra circunstância, ele não penetraria numa garota de programa sem preservativo, mas agora não se importava. O futuro valia pouco. Ele sente seu pau inteiramente acolhido dentro da boceta quente e úmida. Deve ser aquilo a homeostase com o ambiente.


Ela sente o pau dele rasgar seu corpo por dentro. Põe a língua um pouco mais para fora.

 
– Eu tô muito fértil. – Diz de repente. – Por isso tô com tanto tesão.

 
Aquela mistura de putaria com procriação muda, de modo inesperado, sua perspectiva. Sob o efeito da revelação ele apaga. 

Dois membros da HOBIC observam no monitor a imagem do organismo BV8674-12 estirado na cama, aparentemente adormecido, enquanto a agente da IGI pega a carteira dele e tira lá de dentro seu cartão bancário.


– Ela aplicou um Boa Noite Cinderela nele. – A agente da HOBIC diz.


– É muito difícil recrutar pessoal confiável com esse sistema de uberização. – Resigna-se o outro membro da megacorporação.


A agente da HOBIC olha para o Painel de Controle e informa:

 
– O índice de Retenção Bioquímica ficou estável.


O colega a encara durante um tempo que pode ser considerado assédio. Ela evita seu olhar concupiscente. Ele disfarça dizendo:


– Os níveis bioquímicos dele agora estão novamente dentro do Paradigma Normativo Intra-Bolha.            
           
Ao lado do cara adormecido, a mulher entra no site da Shein e escolhe as roupas mais caras. Preenche os dados do cartão dele. Em determinado momento, pergunta a ele qual é sua senha. O cara responde, grogue, como se tivesse tomado um soro da verdade, dando a ela uma combinação de cifras e letras. Com o celular na mão, ela conclui a compra. Guarda o cartão de volta na carteira dele, se veste e sai do quarto.


Ele acorda algumas horas depois com a sensação de ter dormido mais pesado que o normal. Ao ver que está sozinho, verifica o bolso do casaco. Constata, aliviado, que sua carteira e seu cartão continuam lá. Parece haver uma faixa corroída em sua memória, mas ele prefere acreditar, como das outras vezes, que a sorte está do seu lado. Veste a roupa sem pressa e sai do quarto.


Apenas as lojas de serviços considerados essenciais estão abertas. Ele entra numa lanchonete e pede um sanduíche de salada de galinha e um suco de manga. Depois de comer e beber sente-se revigorado. Como é bom quando os fatos correspondem às expectativas! Ele enfia o cartão na máquina para pagar o lanche, mas o cartão é recusado. Surpreso, tenta outra vez. Operação recusada novamente. Ele paga com dinheiro vivo. Envia imediatamente uma mensagem para o banco, via chat. O gerente virtual responde, minutos depois, que seu cartão foi bloqueado por ter sido utilizado para fazer compras suspeitas. Ele solta um suspiro. Tenta fazer um retrospecto para entender o que aconteceu. Entrou na farmácia. Tomou as pílulas mesmo sem acreditar que elas fossem sem um prêmio. Depois entrou naquele inferninho e transou com aquela mulher sem saber se de fato ela era parte de um prêmio que em si já era duvidoso. Deduz que a mulher da farmácia e a do inferninho faziam parte da mesma rede que empregava táticas inovadoras e obscuras, intervindo diretamente sobre sua cognição para transformar a realidade numa trapaça e aplicar golpes. Não consegue entender muito bem o que aquela máfia ganha controlando as consciências, mas sem dúvida é uma forma sinistra de poder. Constata, surpreso com a própria conclusão, que mesmo tendo sido roubado valeu a pena quebrar o jejum sexual na pandemia. Depois da cachoeira de sangue ele achou que nunca mais ia gozar. Vem à sua mente a imagem desconcertante da mulher, quando ele estava em cima dela, tentando enfiar a língua em sua boca, dizendo que o motivo dela estar com tanto tesão era que estava muito fértil. Para agir, não era preciso entender, bastava sentir prazer, conclui.
 
Na sala de controle da HOBIC, a Equipe de Monitoramento observa os índices no metabolismo do organismo-alvo BV8674-12, que agora estão no nível recomendado. O membro da equipe comenta com a colega:


–  Ele deve ter se sentido viril como um touro reprodutor.
 
Depois do banho, o cara passa, enfim, o creme nas mãos. Deita na cama, aponta o controle remoto para a tela e liga a TV. Fica olhando pela janela o recorte da cidade como se fosse uma outra tela aberta na parede. Bandeiras nacionais estão penduradas nas janelas. Com um ligeiro tremor, ele lembra do sangue escorrendo pelas fachadas, das pessoas gritando pelas janelas. Sente a energia baixa e o cheiro enjoativo de sangue. Olha para o chão. Como se soltasse as rédeas da imaginação, vê o sangue cobrindo o chão, inundando a sala, transbordando pela janela. Com medo de voltar a ser controlado pelas alucinações, puxa as rédeas de volta, afastando as imagens. Mesmo sabendo que era mentira, concentra-se na sensação que teve quando a mulher lhe disse, como se fosse um animal comandado por glândulas, que ela estava com tanto tesão porque estava muito fértil. Imagina uma criança, seu filho desconhecido, brincando de balanço numa praça pobre, na periferia da cidade. Suas pálpebras estão pesadas, querendo fechar. Como uma criança embalada por uma canção de ninar, ele adormece pensando na imagem da mulher concedendo-lhe a ponta da língua entre os dentes, naquela luta entre o beijo consentido e roubado. Uma pessoa se aproxima e para em pé ao lado da cama. O quarto está escuro, não dá para ver o rosto dela. A pessoa aponta uma arma para o seu peito. Deitado na cama, vulnerável, ele quer desesperadamente se defender, mas não consegue se mexer. Está imobilizado pelo sono. Sob a ameaça mortal daquele vulto na iminência de disparar, faz um esforço sobre-humano para conseguir gritar de dentro do sonho. “Não precisa ser verdade, basta dar prazer”, o vulto diz.


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